Pode parecer difícil, mas ao chegar a Santiago, no Chile, simplesmente esqueça Buenos Aires. Começar a comparar uma capital à outra é, inicialmente, meio inevitável, mas resista, pois você vai perceber que apesar da língua e de algumas similaridades arquitetônicas, elas têm belezas diferentes. Aproveite para conhecer os costumes bem próprios da cultura santiaguense.
O primeiro deles você vai notar ao entrar em qualquer lanchonete: a palta, ou em bom português, o abacate que os nativos costumam colocar em praticamente todos os sanduíches e saladas. Nem mesmo o Mcdonalds passa ileso. Faça como eles, vá até o Dominó, a rede fast food local, e peça seu sanduíche com muita palta. Você vai adorar.
Bem alimentado, comece a percorrer a cidade. Pode-se dizer que Santiago é plana, exceto por alguns cerros, montanhas no centro da cidade muito bem aproveitadas como pontos turísticos. Os mais famosos são o Cerro Santa Lucía e o Cerro Cristóbal. O primeiro pode ser visitado de maneira mais rápida, mas é necessário pernas resistentes e bastante disposição.
De cima do Santa Lucía se pode avistar a região central da cidade, mas é do Cristóbal que realmente que se tem uma panorâmica da capital. A infraestrutura também é maior, assim como a subida. Para os que não têm muito preparo físico, o melhor é tomar um táxi, o funicular ou uma carona mesmo até o alto, onde está a Imaculada Concepción.
Vista a santa e Santiago de um ângulo privilegiado, é hora de descer ou de aproveitar as atrações lá em cima. Você pode descer de táxi ou pegar o teleférico, que te levará até uma segunda saída do parque, que sai na Providencia praticamente. Se quiser, pode caminhar, passando pelas piscinas públicas, pelo Jardim Botânico, pelo Jardim Japonês. Tudo dependerá do seu condicionamento.
A visita ao Cerro pode ser o passeio para um dia, mas se ainda sobrou um tempinho, que tal uma caminhada pela Providencia. Bairro descontraído, com grande concentração de lojas de departamento, restaurantes e galerias, a Providencia é um bom local para passar o fim de tarde ou para começar a noite. Os guias de turismo falam muito da Rua Suécia, mas se você não é um turista típico, fuja de lá. Prefira os restaurantes das redondezas.
Ou pegue um ônibus 405 – compre um cartão Bip! logo que chegar à cidade – e siga para Las Condes, Avenida Vitacura, Calle Isidora Goyenechea, Calle Alonso de Cordova e redondezas. Ali sim você vai comer bem, pois há uma boa concentração de ótimos restaurantes. Se der sorte, ainda pega as lojas de design abertas ou o Parque Arauco, shopping localizado pertinho dali.
Essa região da cidade merece várias visitas, especialmente na hora das refeições. Se quiser ver muita gente caminhando nas ruas vá passear no centro, onde estão os famosos cafés com pernas, cafés em que as garçonetes usam shortinhos minúsculos. No Paseo Ahumada, as lojas de departamentos marcam presença. Dê um pulo no mercado público e não se esqueça de visitar o Palacio de la Moneda, onde há exposições e cinema no subsolo.
O melhor de Santiago é ficar circulando pelas ruas. Por isso, leve calçados bem confortáveis. Prepare-se para um clima bem seco. E não se esqueça do protetor solar para o corpo e para os lábios. Você vai precisar. Se o clima estiver mais ameno na época em que você for, sente-se à beira do Rio Mapocho e veja como as águas correm rápidas.
Próximo do rio, no meio do caminho entre o centro e a Providencia, fica o bairro boêmio Bellavista. Ali está o Patio Bellavista, que vale uma visita, nem que seja para tomar a bebida local mais famosa: o pisco sour. Nas redondezas fica La Chascona, uma das casas do poeta Pablo Neruda. Faça a visita guiada. Vale a pena.
A essa altura da viagem você já visitou quase todos os lugares obrigatórios, mas há pelo menos mais um: a Vinícola Concha y Toro, a Disneylândia dos vinhos em Santiago. O passeio precisa ser agendado pelo site. Lá, você conhecerá de forma organizada e rápida o processo de produção de um vinho. O lugar é bonito e você ainda vai provar umas tacinhas de vinhos.
Por último: aproveite para fazer muitas fotos da cordilheira, que fica logo ali atrás da cidade, e não se esqueça de levar um casaco, pois à noite fica bem frio!
Observações de quem já foi
Ao chegar ao aeroporto, você pode pegar uma van para ir até o hotel. Costuma ser mais barato que pegar um táxi, mas tudo depende do número de pessoas. Em duas, creio que vale pegar a van da Transvip. Em dezembro de 2008, custava pouco mais de 5 mil pesos por pessoa. Em mais pessoas, talvez o táxi seja mais barato.
Há uma grande concentração de casas de câmbio no Centro. Na Calle Agustinas, você vai encontrar várias. Compare os preços antes de trocar na primeira que encontrar.
Compre o cartão Bip! em qualquer estação de metrô. Além do metrô, você poderá usar os ônibus – não há cobrador e o motorista não pode cobrar a passagem, ou seja, sem o cartão, você não pode usar os ônibus, que são bem úteis para chegar a Las Condes e região.
Para economizar com transporte, procure um hotel na Providencia ou em Las Condes. Estará bem mais perto de bons restaurantes e a poucos passos do metrô.
Se quiser comprar vinhos, existem três boas lojas: La Vinoteca, El Mundo del Vino e a Wain – esta última, uma loja com conceito diferente, que publica uma ótima revista com dicas de lugares legais da cidade. A El Mundo del Vino tem uma grande loja na Calle Goyenechea e outra no Parque Arauco. Comprar no free shop do aeroporto também pode ser uma boa opção.
Comprar vinhos nas próprias vinícolas pode ser um bom negócio em alguns casos, mas nem sempre. Pesquise antes o preço médio do que pretende comprar. Às vezes, o vinho tem preços melhores em restaurantes.
Se quiser ir além da Concha y Toro, marque uma visita na Almaviva. Santiago é cercada por vales de vinhedos. Eleja algumas, alugue um carro e passe um dia agradável em meio às parreiras. Casa Marin, Matetic, Odfjell, Loma Larga e Casablanca são boas opções. Lembre-se de fazer reserva antes se quiser ser recebido.

