quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Passeando por Santiago

CAPITAL CHILENA

Prepare-se para comer bem, caminhar muito e beber ótimos vinhos

Pode parecer difícil, mas ao chegar a Santiago, no Chile, simplesmente esqueça Buenos Aires. Começar a comparar uma capital à outra é, inicialmente, meio inevitável, mas resista, pois você vai perceber que apesar da língua e de algumas similaridades arquitetônicas, elas têm belezas diferentes. Aproveite para conhecer os costumes bem próprios da cultura santiaguense.

O primeiro deles você vai notar ao entrar em qualquer lanchonete: a palta, ou em bom português, o abacate que os nativos costumam colocar em praticamente todos os sanduíches e saladas. Nem mesmo o Mcdonalds passa ileso. Faça como eles, vá até o Dominó, a rede fast food local, e peça seu sanduíche com muita palta. Você vai adorar.

Bem alimentado, comece a percorrer a cidade. Pode-se dizer que Santiago é plana, exceto por alguns cerros, montanhas no centro da cidade muito bem aproveitadas como pontos turísticos. Os mais famosos são o Cerro Santa Lucía e o Cerro Cristóbal. O primeiro pode ser visitado de maneira mais rápida, mas é necessário pernas resistentes e bastante disposição.

De cima do Santa Lucía se pode avistar a região central da cidade, mas é do Cristóbal que realmente que se tem uma panorâmica da capital. A infraestrutura também é maior, assim como a subida. Para os que não têm muito preparo físico, o melhor é tomar um táxi, o funicular ou uma carona mesmo até o alto, onde está a Imaculada Concepción.

Vista a santa e Santiago de um ângulo privilegiado, é hora de descer ou de aproveitar as atrações lá em cima. Você pode descer de táxi ou pegar o teleférico, que te levará até uma segunda saída do parque, que sai na Providencia praticamente. Se quiser, pode caminhar, passando pelas piscinas públicas, pelo Jardim Botânico, pelo Jardim Japonês. Tudo dependerá do seu condicionamento.

A visita ao Cerro pode ser o passeio para um dia, mas se ainda sobrou um tempinho, que tal uma caminhada pela Providencia. Bairro descontraído, com grande concentração de lojas de departamento, restaurantes e galerias, a Providencia é um bom local para passar o fim de tarde ou para começar a noite. Os guias de turismo falam muito da Rua Suécia, mas se você não é um turista típico, fuja de lá. Prefira os restaurantes das redondezas.

Ou pegue um ônibus 405 – compre um cartão Bip! logo que chegar à cidade – e siga para Las Condes, Avenida Vitacura, Calle Isidora Goyenechea, Calle Alonso de Cordova e redondezas. Ali sim você vai comer bem, pois há uma boa concentração de ótimos restaurantes. Se der sorte, ainda pega as lojas de design abertas ou o Parque Arauco, shopping localizado pertinho dali.

Essa região da cidade merece várias visitas, especialmente na hora das refeições. Se quiser ver muita gente caminhando nas ruas vá passear no centro, onde estão os famosos cafés com pernas, cafés em que as garçonetes usam shortinhos minúsculos. No Paseo Ahumada, as lojas de departamentos marcam presença. Dê um pulo no mercado público e não se esqueça de visitar o Palacio de la Moneda, onde há exposições e cinema no subsolo.

O melhor de Santiago é ficar circulando pelas ruas. Por isso, leve calçados bem confortáveis. Prepare-se para um clima bem seco. E não se esqueça do protetor solar para o corpo e para os lábios. Você vai precisar. Se o clima estiver mais ameno na época em que você for, sente-se à beira do Rio Mapocho e veja como as águas correm rápidas.

Próximo do rio, no meio do caminho entre o centro e a Providencia, fica o bairro boêmio Bellavista. Ali está o Patio Bellavista, que vale uma visita, nem que seja para tomar a bebida local mais famosa: o pisco sour. Nas redondezas fica La Chascona, uma das casas do poeta Pablo Neruda. Faça a visita guiada. Vale a pena.

A essa altura da viagem você já visitou quase todos os lugares obrigatórios, mas há pelo menos mais um: a Vinícola Concha y Toro, a Disneylândia dos vinhos em Santiago. O passeio precisa ser agendado pelo site. Lá, você conhecerá de forma organizada e rápida o processo de produção de um vinho. O lugar é bonito e você ainda vai provar umas tacinhas de vinhos.

Por último: aproveite para fazer muitas fotos da cordilheira, que fica logo ali atrás da cidade, e não se esqueça de levar um casaco, pois à noite fica bem frio!

 

Observações de quem já foi

Ao chegar ao aeroporto, você pode pegar uma van para ir até o hotel. Costuma ser mais barato que pegar um táxi, mas tudo depende do número de pessoas. Em duas, creio que vale pegar a van da Transvip. Em dezembro de 2008, custava pouco mais de 5 mil pesos por pessoa. Em mais pessoas, talvez o táxi seja mais barato.

Há uma grande concentração de casas de câmbio no Centro. Na Calle Agustinas, você vai encontrar várias. Compare os preços antes de trocar na primeira que encontrar.

Compre o cartão Bip! em qualquer estação de metrô. Além do metrô, você poderá usar os ônibus – não há cobrador e o motorista não pode cobrar a passagem, ou seja, sem o cartão, você não pode usar os ônibus, que são bem úteis para chegar a Las Condes e região.

Para economizar com transporte, procure um hotel na Providencia ou em Las Condes. Estará bem mais perto de bons restaurantes e a poucos passos do metrô.

Se quiser comprar vinhos, existem três boas lojas: La Vinoteca, El Mundo del Vino e a Wain – esta última, uma loja com conceito diferente, que publica uma ótima revista com dicas de lugares legais da cidade. A El Mundo del Vino tem uma grande loja na Calle Goyenechea e outra no Parque Arauco. Comprar no free shop do aeroporto também pode ser uma boa opção.

Comprar vinhos nas próprias vinícolas pode ser um bom negócio em alguns casos, mas nem sempre. Pesquise antes o preço médio do que pretende comprar. Às vezes, o vinho tem preços melhores em restaurantes.

Se quiser ir além da Concha y Toro, marque uma visita na Almaviva. Santiago é cercada por vales de vinhedos. Eleja algumas, alugue um carro e passe um dia agradável em meio às parreiras. Casa Marin, Matetic, Odfjell, Loma Larga e Casablanca são boas opções. Lembre-se de fazer reserva antes se quiser ser recebido.

sábado, 19 de julho de 2008

Guia de Vinhos 2008, de Hugh Johnson



A edição de bolso do Guia de Vinhos 2008*, de Hugh Johnson, reúne informações sobre os principais produtores de vinho do mundo. Pelo que nos informa a orelha do livro, Johnson utiliza a mesma fórmula desde 1977, quando o primeiro guia foi publicado, ou seja, ele escreve suas percepções e avaliações críticas sobre o mundo do vinho.

Nesta edição, Johnson informa nas primeiras páginas que comentou sobre cerca de 200 rótulos. O autor deixa bem claro que não se tratam dos 200 melhores vinhos do mundo, mas dos 200 vinhos que ele mais gostou. “Quero reafirmar minha posição inalterável: gosto é coisa pessoal”, afirma e complementa: “Gosto do que gosto – e assim dever ser com você”.

O cuidado em deixar isso bem claro ganhou alguns pontos conosco, pois não achamos nada legal quando alguém tenta impor que determinados vinhos são os melhores do mundo. Há muito tempo, já aprendemos que gosto é mesmo algo muito pessoal – e ninguém tem direito de desmerecer as opiniões do outro.

Voltando ao livro, ele é bem “explicadinho”, como um guia deve ser, traz uma tabela interessante com as temperaturas mais indicadas na hora da degustação. Também apresenta uma tabela rápida sobre as safras dos últimos 13 anos – no caso da França, dos últimos 20 anos. Vinhos da América do Sul e do Norte não entram nesta lista.

Os vinhos europeus ocupam a maior parte do livro, o que não chega a ser algo ruim. Para nós, brasileiros, serve como uma referência. Por exemplo, não temos muito acesso a vinhos norte-americanos, mas o guia pode ser uma boa fonte de consulta, caso queiramos escolher alguma vinícola para encomendar garrafas de lá ou comprar durante uma viagem.

Johnson não se dedica a comentar vinhos muito detidamente, mas apresenta verbetes sobre vinícolas, e lugares produtores de vinhos, além de inserir informações gerais, como, por exemplo, a classificação dos vinhos na Alemanha. Para quem está entrando neste mundo por agora, o autor mostra o significado de algumas palavras técnicas, que pode ser um bom início para entender sobre taninos, graduação e acidez.

Em outros dois capítulos que achamos interessantes, Johnson fala um pouco sobre cada uva que ele conhece e também sobre que vinhos combinam com cada alimento. Isso pode ser muito útil na hora de escolher um prato para uma harmonização. E quando o vinho não é a melhor opção, não tem medo de indicar outra bebida, como acontece com sushi, em que aponta alguns vinhos, mas lembra que saquê e cerveja podem ser bons acompanhamentos.

Não gostamos, porém, das poucas informações sobre os vinhos da América do Sul. Afinal, são os vinhos que acabamos mais degustando e seria legal saber o que um especialista pensa sobre eles. Chile e Argentina ganharam mais espaço, mas países como Brasil e Uruguai mereceram apenas um parágrafo. Também são citados rapidamente Peru, Bolívia – e México.

No geral, é um livro que pode acrescentar conteúdo bem produzido para quem gosta de livros que tratam sobre vinhos.

* Ganhamos este livro da Nova Fronteira (www.novafronteira.com.br). A assessora de imprensa da editora entrou em contato conosco para saber se teríamos interesse em fazer um comentário livre sobre o livro. Explicamos que não costumávamos colocar livros em nosso blog, apenas os vinhos que havíamos degustado, mas, como éramos nós mesmo quem decidíamos o que publicar, poderíamos, sim, fazer um comentário sobre o guia de vinhos. Alguns dias depois, recebemos o livro e, algumas semanas depois, aqui está nosso comentário. Ah, achamos a iniciativa da Nova Fronteira bem interessante.

http://www.novafronteira.com.br/guiadosvinhos/

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cinema - lançamento filme brasileiro

ENTRE PANELAS

Duas histórias sobre poder, sexo e culinária correm em paralelo no
premiado Estômago, em cartaz a partir de 11 de abril nos cinemas brasileiros

Raimundo Nonato não tem dúvidas de que as garrafas de vinho do restaurante em que recém-começou a trabalhar são guardadas deitadas para ocupar menos espaço na despensa. E também não esconde a surpresa ao ver um vinho tão velho ainda fechadinho esperando para ser bebido. Chega até a dar um conselho ao chefe dizendo para beba logo aquela garrafa de 1983 antes que ela perca todo o gás.

Raimundo Nonato é o ingênuo e desavergonhado protagonista de Estômago, filme de Marcos Jorge, que estréia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros - a pré-estréia ocorreu dia 7 no cinema do Fashion Mall, no Rio, com a presença do diretor, dos roteiristas e do elenco. O filme, que fez sucesso no último Festival do Rio e já ganhou vários prêmios fora do país, é “uma fábula nada infantil sobre poder, sexo e culinária”, como definem os roteiristas Lusa Silvestre, Marcos Jorge, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito.

A comida aparece como objeto de sedução, paixão e, principalmente, de domínio. Estômago mostra a ascensão e a queda de Raimundo Nonato, um imigrante nordestino que decide ganhar a vida em Curitiba. Sem dinheiro, ele aceita o emprego sem salários e benefícios oferecido pelo dono de um bar. Logo, a fama de boa mão para cozinhar se espalha pela cidade. O bar, que antes era vazio, torna-se popular.

E Nonato recebe até uma proposta de trabalho num dos melhores restaurantes da cidade. É lá que se depara com a adega do chefe, Giovanni, e onde começa a entender um pouco não só sobre vinhos, mas sobre ingredientes, as melhores peças de uma vaca, combinações de temperos e truques da cozinha. Aprende também que pode conquistar pessoas com as receitas certas.

As experiências de Nonato na cozinha do restaurante são intercaladas com outro período de sua vida, quando está na prisão convivendo com personagens tão divertidos e interessantes quanto ele próprio. São nessas cenas que estão alguns dos diálogos mais engraçados de Estômago, que são reproduzidos no completo e bem feito site do filme – http://www.estomagoofilme.com.br/.

Além de depoimentos do diretor Marcos Jorge, há material de sobra para entrar no mundo do ótimo filme curitibano: sinopse, premiações, informações sobre o processo de criação e realização e um pouco sobre cada ator. Estômago, filme realizado a partir de um acordo de co-produção bilateral entre Brasil e Itália, é protagonizado pelo baiano João Miguel (Cinema, Aspirinas e Urubus, Mutum, Cidade Baixa). (R.G.)


Divulgação Zencrane Filmes

domingo, 6 de abril de 2008

Degustação - vinhos naturais franceses

SEM ADITIVOS

Os produtores da Borgonha Marcel Lapierre e Philippe Pacalet apresentaram
vinhos naturais em degustação promovida pela World Wine no Rio de Janeiro

Vinho de preguiçoso e de pão-duro. Foi dessa maneira descontraída e brincalhona que Marcel Lapierre apresentou o Morgon, vinho produzido pela sua família na região de Beaujolais, na Borgonha. O produtor francês esteve no Rio de Janeiro no final de março para participar da degustação de vinhos naturais organizada pela importadora World Wine. No almoço para poucos convidados, realizado no Fasano al Mare, em Ipanema, estava presente o sobrinho de Lapierre, o também enólogo Philippe Pacalet, que apresentou outros dois vinhos franceses.

Além do parentesco, Lapierre e Pacalet têm em comum o interesse por vinhos natu­rais, ou seja, aqueles que não levam nenhuma substância química ou sintética no processo de produção, tanto no plantio quanto na vinificação. Ao apresentar seu Morgon, Lapierre, além de fazer graça com o estilo de produção que não utiliza agrotóxicos ou enzimas e leveduras artificiais, contou um pouco da sua história na produção de vinhos. A família Lapierre mantém vinhedos há três gerações. Ele cresceu em meio a parreiras, pipas e garrafas.

Quando mais jovem, formou-se em enologia e ao voltar para casa, no final dos anos 1970, convenceu o pai a misturar insumos ao vinho. O pai aceitou a nova técnica, mas, após algumas experiências, o vinho da fa­mí­lia, reconhecido pela qualidade, começou a ficar intragável. Foi quando Lapierre sou­be que Jules Chauvet, renomado conhecedor de vinhos naturais, havia descoberto que algumas substâncias colocadas nos vinhos matavam o que havia de melhor e que após o uso desses produtos era preciso acrescentar mais e mais ingredientes artifi­ci­ais para salvar o vinho. Deu-se conta de que o antigo método empregado pelo pai é que era o certo.

– Voltamos a fazer o Morgon como antigamente, de forma ancestral, com leveduras indígenas, mas sabendo os porquês do uso de algumas técnicas e daquela maneira de tratar os vinhedos e os próprios vinhos –, afirmou Lapierre.

Atualmente, a família Lapierre produz 100 mil garrafas de Morgon por ano seguindo o método de vinificação ancestral, passado de geração para geração. A vinícola está localizada na região da Borgonha, onde os 11 hectares da família apresentam solo com granito, ideal para o Morgon. As uvas são cultivadas em vinhas de 45 anos. A colheita é manual e, em seguida, os frutos passam por uma triagem rigorosa. A fermentação é feita com cachos inteiros e com maceração semicarbônica. O amadurecimento é feito em tanques de carvalho ou em barricas de 228 litros.

Quarenta e cinco mil garrafas divididas em 22 apelações diferentes

No interesse por vinhos orgânicos, Philippe Pacalet não é diferente do tio Marcel Lapierre, mas o sobrinho dedica-se à produção de diversos rótulos. A produção de 45 mil garrafas está dividida em 22 apelações diferentes, o que dá uma média de 2 mil garrafas de cada região. Formado em química, biologia e enologia, Pacalet trabalhou nos anos 1990 na Domaine Prieure Roch, pertencente a um sócio da Romanée Conti. Atualmente, dedica-se à criação de seus próprios rótulos na região da Borgonha, no Leste da França.

Diferente de outros produtores, Pacalet arrenda vinhedos para poder escolher as regiões com o melhor terroir. Os vinhos apresentados no almoço da World Wine foram feitos com uvas da região de Côte de Beaune, o branco Chablis, e Côte de Nuis, o tinto Gevrey-Chambertin. Além desse cuidado, o produtor é adepto do cultivo por meio de método ancestral, do uso de videiras velhas e saudáveis e da colheita manual com muita atenção na seleção dos cachos. Outro diferencial, comentado por ele, é o engarrafamento manual e por gravidade.

– Também há um grande cuidado com o transporte. Os vinhos sempre viajam e são estocados em ambientes climatizados, o que garante a preservação das características do vinho – afirmou o diretor comercial da World Wine, Celso La Pastina, que acompanhou a degustação.

Os vinhos apresentados no almoço estão disponíveis para compra na World Wine. Os preços recomendados são: R$ 120, para o Morgon 2005; R$ 380, para o Chablis 1er Cru “Beauroy” 2004; e R$ 610, para o Gevrey-Chambertin 1er Cru “Lavaux St Jacques” 2005. Para saber mais sobre os produtos, basta acessar World Wine ou o site de Marcel Lapierre.

Feira de Vinhos Biodinâmicos

A World Wine apresentará na Feira de Vinhos Biodinâmicos, que ocorre em São Paulo em 29 de abril, vinhos de três produtores franceses: Château le Puy, Marc Kreydenweiss e Catherine et Pierre Breton. (R.G.)